No dia em k a sorte me bateu à porta eu não estava em casa. Tinha ido comprar bolos.
Até parecia um dia agradável. No caminho encontrei 500 paus. Quando abaixei-me, as calças romperam-se e quando agarrei a nota vi que afinal era só do monópolio. Nesse momento começa a chover torrencialmente. 365 dias de seca e apanho o único dia de chuva. Para acabar em grande piso merda. Afinal é um dia normal.
Se és um daqueles filhos da puta que nasceram com o cu virado para a lua podes parar de ler. Tu sabes quem és.
Dirijo-me portanto aos meus compatriotas, o tipico português, que por mais que se esforce sabe que vai acabar irremediavelmente na merda. É a nossa sina. Não há escapatória.
Se ainda não sabes de quem eu estou a falar se faz favor de continuar a ler.
És o puto que nasceu na casa de banho de um fast-food, num táxi ou um lugar similar, porque o estúpido do médico dos pálopes – que ganhou o curso nas farinhas milupa – mandou a tua mãe para casa porque não percebeu (inexplicamente) que as contrações e os 15 cm de dilatação era o cabrão do puto que vinha ai.
És o puto que só adoece nas férias, és aquele que no único do dia do ano em que fazem comida de jeito na cantina e chega a tua vez a pizza, ou hamburguer, ou bacalhau com natas, ou qualquer outra da tua eleição, esta acabou e servem-te peixe cozido, que encontraram perdido num fundo do congelador de cor amarela e um cheiro inóculo.
És o puto que num único dia em que te esqueces de ir trancar o cão, ele é atropelado à frente da tua casa e ainda és obrigado a recolhe-lo e a limpar o sangue da estrada enquanto o teu pai grita (apesar de ninguém da tua família alguma vez ter trancado a porcaria do animal) para todo os vizinhos ouvirem, que é bem-feita, que o cão já devia ter morrido antes, enquanto tu choras baba e ranho e a miúda de quem tu gostas, que nunca foi à tua rua, lembra-se de passar à tua porta.
És o tipo que passou todo o ano a dizer que tinhas um boné espectacular mas que não o levavas porque tinhas medo de ser roubado e, no último dia do ano, em que decides ganhar coragem e levar o dito ornamento para a escola és assaltado antes de lá chegares e ninguém vê o maldito boné.
És o gajo que a namorada trocou pelo melhor amigo.
És o gajo, que apesar de nunca ganhar nada, continua a participar nos mais variados concursos e afins.
Até que um dia a sorte muda e ganhas uma viagem, com tudo pago, para Lloret, para ti e mais 2 amigos. Nem podes acreditar. E não devias. Oh seu ?+`º.5&#=?!»^ já devias saber que não ganhas nada. E vês-te perdido e sozinho em Espanha sem dinheiro, sem hotel, sem saldo no telemóvel porque gastas-te todo a ligar para os cabrões representantes do concurso, que combinavam encontros num determinado sitiu, à chuva evidentemente, e não aparecem, que fogem de ti a sete pés, para o hotel de 5 estrelas, com piscina e jacuzzi em que ficaram todos os gajos destas conhecidas empresas (no final revelo quais foram, por isso não percam o próximo episódio porque nós também não), que põem a culpa nas outras empresas também comprometidas no concurso e que quando finalmente consegues encurralá-lo vês que é um puto, muito mais novo que tu, que ainda mama e com uma mania de cuzinho impressionante (mais um exemplo de filho da puta com o rabo virado para a lua). Quando chegas a portugal contactas todas as entidades de que te lembras, inclusive a tvi – que excepcionalmente não agarra a história (é o que dá ser o cabrão sem sorte) – e a Deco que te responde com a simpática resposta que não te pode ajudar porque não és assinante desta.
Em suma és o paneleiro que tava a cagar quando Deus distribiu as virtudes porque o teu “grande amigo" “rabo p’rá lua” deu-te tremosos como prova da sua generosidade e amizade.
Se tiveste de ler estes parágrafos todos para te conseguires identificar com o nosso “herói” é porque és o filho da mãe nojento, que tem a mania que é um coitadinho, mas depois vai coçar as mucosas para as Caraibas.
És daqueles mete nojo que tem a mania que a galinha do vizinho é sempre melhor que a minha, mas depois a galinha ganha prémios absurdos como a galinha com os dentes mais limpos da quinta da atalaia entregue pela Cláudia Shiffer.
Um verdadeiro cabrão sem sorte, tem uma galinha que é perneta, sem penas, que caga diarreia em vez de por ovos.
Assim, faço esta ode todos os filhos da mãe sem sorte.
Se estão sensíveis a este problema nacional, que afecta numerosas familias e queres ajudar-nos, junta-te ao protesto por um país livre dos filhos de mãe que nascem de cu pró ar. Podes encontrá-los nos lugares comuns: no parlamento, no Ritz, ou em qualquer outro lugar onde possam gastar as vossas contribuições.
(P.S. muitas destas histórias são verídicas – as empresas/instituições referidas no caso Lloret são a Best Rock, sim a rádio, e a Total Fun Trip).
Atentamente:
Um Cabrão sem sorte