Wednesday, August 23, 2006


Por ter acreditado em fábulas

Recordo o corte dos teus lábios

E o calor de um fogo

que ateei sem pensar

Enquanto o amor for cego

Despojei-me da verdade

Talvez por ter fingido acreditar

conseguiste me encontrar


Foram sonhos de criança

entre os beijos roubados

que fizeram esquecer a inocência

e ingenuamente se deixaram perder

Foi o desejo

Que me encontrou sozinho

Aqueceu a noite fria

preso à chama quimérica

das suas amarras não me consegui libertar


E o calor da tua pele

Que arde por dentro por entre o vazio do teu olhar

Mas vamos ter sempre a noite sem chama

Vou ter sempre o quarto frio

Dói de mais

Valeu mesmo a pena tentar?


23-08-2006

Thursday, August 17, 2006

Noite

Anoiteceu

Fizeste fumo e fogo

A tentar compensar a luz das estrelas

que roubaste, usurpaste como se fosse tua


Amanheceu

Pensaste que ninguém tivesse visto

Despiste as estrelas

Talvez devesses ter partido antes de eu acordar


Estavas errado

O mundo não parou de girar

Há muitas páginas em branco no meu livro



Amanheceu

Afogaste a voz da guitarra

Num abraço vazio

Amarraste as cordas para que a sua melodia fosse tua


Anoiteceu

Embalaste a noite negra

A quem tapaste a lua cheia

Perdida nos beijos não viu quem lhe roubou a luz


Estavas errado

O mundo não parou de girar

Há muitas páginas em branco no meu livro



E as lágrimas

que caiam na minha face

que pensaste que era por ti

Eram os restos do fim de que me tinha de livrar


Não vai acabar

Vamos ter sempre a mentira

Vai haver sempre a noite negra

Aonde não há nada sem ser o início

Valeu a pena esperar…


Estavas errado

E a noite sem lua veio recordar

A manhã que um dia tentaste…

…matar



me - 17-08-2006