Saturday, December 30, 2006

De volta


Dizes que não queres ficar aqui

que não queres ter de me abraçar

mas és tu que não me largas os braços

que não me deixas partir

mesmo quando sabes que já estou há muito longe


Antes o caos em vez de ti…

Tento fugir mas encontro-te em cada esquina, em cada rua em cada suspiro e corro sem olhar para trás mas as lágrimas não me deixam ver o caminho em frente


E se vivêssemos a ilusão de volta?

E se ouvíssemos a musa em mar alto?

E se partíssemos para nunca mais regressar?

E se ressuscitássemos toda a dor e nos libertássemos das amarras que o amor nos deu, que nos prendem, que nos destroem, que nos matam?

E se criássemos o amanhã de volta?


Lembras-te quando velejávamos em sonhos?

Lembras-te quando acreditávamos em sereias?

Lembras-te?

De cada desejo, de cada riso, de cada beijo?

E se engendrássemos o amor de volta?

E se voltássemos para lembrar cada traição, cada mentira, cada corte…

E se inventássemos o amor de volta?


de volta…

lembrar para ficar

ficar… e poder partir…

de volta…


30-12-2006

Friday, December 22, 2006

Cais e não te levantas

Consumida pelo medo

Deixas-te desaparecer por entre a multidão

Por tanto quereres que alguém te salve

Destruída pela fé

Perdes a oportunidade de ver a força na tua mão

Friday, December 08, 2006


"Uma rapariga perguntou a uma rapaz se ele a achava bonita, ele disse que não. Ela perguntou se ele queria ficar com ele pela eternidade e ele disse que não. Então ela perguntou-lhe, se fosse embora ele iria chorar, e mais uma vez ele respondeu que não. Ela já tinha ouvido demais... Assim quando ela se ia embora, lagrimas corriam na sua face, o rapaz agarrou no seu braço e disse... tu não és bonita, és linda! Eu não quero ficar contigo para sempre... eu preciso ficar contigo para sempre! Eu não iria chorar se fosses embora... EU IRIA MORRER!"


e dp a manhã veio e ela acordou...

Sunday, November 19, 2006

Fim do Mundo


Longe está a rua onde te conheci

e a vida pode continuar

Perto está a lembrança das mentiras

que contaste para eu ficar


Pronta para ires ao fim do mundo

para me teres

Pronta para veres até onde podias ir

e teres-me

Pronta para ires ao fim do mundo…



Os nossos lábios uniram-se num adeus

Pensaste que tinhas a minha vida nas tuas mãos

E num segundo o tempo parou

Quando parei para ver o tempo perdido


Pronto para ir ao fim do mundo

para ficar contigo

Pronto para ver até onde ia

a recordação

Pronto para ir ao fim do mundo…



E os fracos não vêem as oportunidades de desistir

E agora só resta a dor…


Prontos para irmos ao fim do mundo

atrás do passado

Prontos para ver o futuro

Nunca acontecer

Prontos para irmos ao fim do mundo…


19-11-2006

Sunday, November 05, 2006

Quando ninguem me ve



Às vezes desvio-me da estrada correcta

Às vezes esqueço-me e deixo a porta aberta

Conto-te o porquê das minhas lágrimas

para momentos depois me arrepender

Às vezes sou tua às vezes sou do vento


Às vezes odeio-te por nunca ter sido tua

Sigo em frente mas continuo a olhar por cima dos ombros

desejando que me seguisses

Para não admitir que perdi

Porquê é tão difícil entregar-te a vitória?


Às vezes miro-te,

Às vezes fujo quando te vejo

Desvias-te para me deixar passar

Enquanto me agarras as asas

para ser tua... mas sou do vento


Às vezes adoro-te por nunca teres sido meu

Queria mostrar-te que sei voar mesmo sem as asas

Que desejaste possuir

Para não admitir que perdi

Porquê é tão difícil entregar-te a vitória?


Quando ninguém me vê

posso desistir

Quando ninguém me vê

o mundo cai a meus pés

Quando ninguém me vê

não sou nada

Quando ninguém me vê…



Escrevo no livro da nossa existência o último capitulo

mas tu não leste as entrelinhas

Suponho que era pedir-te demais

que perdesses o teu tempo a ler os versos em branco

Não preenchas as páginas vazias…

de alma e corpo…


Quando ninguém me vê

posso desistir

Quando ninguém me vê

o mundo cai a meus pés

Quando ninguém me vê

não sou nada

Quando ninguém me vê…

Monday, September 04, 2006

I let you



You held my hand

and drove me home

I let you

You gave me a kiss

And made the hope desapeared

I didn’t want to let you

You drank my tears

And embrace all my fears

Why did I let you?

‘Cause it wasn´t enough take my soul

you´ve got to profane my body



Did you thing that i will come back to you?

And cry

Did you thing that i will lay down in your arms?

And die...


...I´m not the kind who lefts give away

04-09-2006

Sunday, September 03, 2006

Amei-te esta noite


Amei-te esta noite

Porque não pensei em ti

Amei-te esta noite

Porque não foi o teu toque que me fez adormecer

Amei-te esta noite

Porque para mim morreste

03-09-2006

Friday, September 01, 2006


Nunca pensei que a lua fosse nossa

Eu sei que a desejavas só para ti

Fui eu que quis acreditar na manhã

Quando sabia que só tínhamos a noite


Nunca pensei que os risos fossem nossos

Se só sorrias quando vias as minhas lágrimas

Fui eu que quis acreditar no amanhã

Quando sabia que só nos esperava a dor



E deixar-me ir com a corrente

E desprender-me dos beijos que me assassinam

Libertar-me dos teus braços

e morrer por a vida fazer mais sentido sem ti




Sempre soube que só tínhamos as cinzas

Mesmo quando tentavas alimentar o fogo

Foste tu que pensaste que poderias arrancar mais uma labareda

Quando sabíamos que a chama já se tinha extinguido


Sempre soube que só tínhamos hoje

Não eram precisas as promessas

Foste tu que quiseste esperar pela manhã

Quando sabíamos que só tínhamos a dor



E deixar-me morrer só por um momento contigo

E desprender-me da força que havia em mim

Fugir dos abraços

que me prendem como amarras invisíveis





E deixar-me ir com a corrente

E desprender-me dos beijos que me assassinam

Libertar-me dos teus braços

Que me prendem como amarras

E deixar-me perder só por um momento contigo

E desprender-me da força que havia em mim

Fugir dos abraços

e morrer por a vida fazer mais sentido sem ti


1-09-2006

Wednesday, August 23, 2006


Por ter acreditado em fábulas

Recordo o corte dos teus lábios

E o calor de um fogo

que ateei sem pensar

Enquanto o amor for cego

Despojei-me da verdade

Talvez por ter fingido acreditar

conseguiste me encontrar


Foram sonhos de criança

entre os beijos roubados

que fizeram esquecer a inocência

e ingenuamente se deixaram perder

Foi o desejo

Que me encontrou sozinho

Aqueceu a noite fria

preso à chama quimérica

das suas amarras não me consegui libertar


E o calor da tua pele

Que arde por dentro por entre o vazio do teu olhar

Mas vamos ter sempre a noite sem chama

Vou ter sempre o quarto frio

Dói de mais

Valeu mesmo a pena tentar?


23-08-2006

Thursday, August 17, 2006

Noite

Anoiteceu

Fizeste fumo e fogo

A tentar compensar a luz das estrelas

que roubaste, usurpaste como se fosse tua


Amanheceu

Pensaste que ninguém tivesse visto

Despiste as estrelas

Talvez devesses ter partido antes de eu acordar


Estavas errado

O mundo não parou de girar

Há muitas páginas em branco no meu livro



Amanheceu

Afogaste a voz da guitarra

Num abraço vazio

Amarraste as cordas para que a sua melodia fosse tua


Anoiteceu

Embalaste a noite negra

A quem tapaste a lua cheia

Perdida nos beijos não viu quem lhe roubou a luz


Estavas errado

O mundo não parou de girar

Há muitas páginas em branco no meu livro



E as lágrimas

que caiam na minha face

que pensaste que era por ti

Eram os restos do fim de que me tinha de livrar


Não vai acabar

Vamos ter sempre a mentira

Vai haver sempre a noite negra

Aonde não há nada sem ser o início

Valeu a pena esperar…


Estavas errado

E a noite sem lua veio recordar

A manhã que um dia tentaste…

…matar



me - 17-08-2006

Friday, June 30, 2006

Lembro-me de todas as lágrimas
(como as posso esquecer se ainda estão no teu peito)
Não quis ficar para trás
(mas perdi-me..)

Sou a sombra do que nunca fui
Estou em todo o lado e em lado nenhum
como uma onda
deambulo sem nunca pertencer à praia

Deixaste-me morrer
enquanto ficavas
Deixaste-me morrer
porque sabias que ias partir
Por ti morri ao por do sol
Mas por mim assisti ao novo nascer


Lembro-me de todos os teus risos
(como os posso esquecer se eram as minhas lágrimas que os provocavam)
Não precisas de explicar
(eu sei que foi tudo premeditado)

Quiseste-me matar
enquanto derruias o meu sorriso
Quiseste-me matar
para roubar as minhas asas
Por ti morri ao por do sol
Mas por mim assisti ao novo nascer

Sou a criança que tentas-te fazer desaparecer
Sinto a dor de dentro
como um punhal
Eu tento alcançar o céu
mas sem asas eu caio em queda livre


Deixaste-me morrer
enquanto ficavas
Deixaste-me morrer
porque sabias que ias partir
Quiseste-me matar
enquanto derruias o meu sorriso
Quiseste-me matar
para roubar as minhas asas
Por ti morri ao por do sol
Mas por mim assisti ao novo nascer

Eu caio, levanto-me, as lágrimas continuam a correr e eu não percebo porquê
Eu caio, os sorrisos levantam-me, as minhas pernas libertam-se do chão

Por ti morri ao por do sol
Mas por mim assisti ao novo nascer

me 30-06-06

Thursday, June 29, 2006


Not me
I beg
There’s no dead ‘till

Show me pain
Just like you know how

Take me outhere
Where I have no change
Show me outhere
So I can carry on

The cuts from outside
I feel them open from the deep inside

I feel it from deep inside
I feel it from deep inside

Feed me with blood
I need
Kill me one more time

Take me outhere
Where is only hate
Show me outhere
Untill I scream

The cuts from outside
I feel them open from the deep inside

The hate from outside
I feel it from the deep inside

The dark from outside
I feel it in the deep inside

There´s no one left to safe us,
there´s no hope for sinners
Beatiful death embrace us
Help us fight the cuts from inside

Tuesday, June 20, 2006

Amanhã


Demos as mãos envoltos nas mesmas cinzas
Onde ao menos nos sentimos porque a dor passou
As lágrimas na almofada
Reflectem a verdade por trás
A culpar o tempo dos nossos erros


Tens névoas de mais
A taparem-te os olhos
Mas podes vir amanhã acreditar nas mesmas mentiras
Tens sonhos de mais
A impedir-te de sorrir
Não queres vir amanhã acreditar nas mesmas ilusões?


Enlaçamos as mãos num último adeus
Mas podes vir amanhã…
Tens sonhos de mais
A taparem-te as lágrimas
Não queres vir amanhã acreditar nas mesmas mentiras?

me -20-06-2006

Wednesday, May 17, 2006

Rain

Save me
From the peace that is coming
Take me
Before i fall in to this hole

I´m waiting here
For the nightmare I´m living in
I lay in this thorns´s bed
Seeing the silence pass through me


And you scream, you fight and you crawl
But you’re all alone
And you wish among the stars
For something else than goodbye

And you go...
But the tears in your hair
Shows you that the rain is still here

Touch me
Make me fell like I'm dead
Hurt me
Let the pain bring me back for live

I´ve been here before
And all is left is dust
Embrace this cuts
Cause I am made to lose


But you run, you hide and you crumble
And you´re all alone
But as you see the stars fall down
Something more than hope comes


And you wait...
But the laugh in your memories
Shows you that the rain will stop falling



me - 17/05/2006

Saturday, April 08, 2006

...


É pena não acreditar nas ilusões
É reconfortante perder todas as batalhas

Quase venci
Quase passei por ti sem te ver
Quase morri
Neste quarto vazio
Aonde me encontro
E tenho pena
E sinto falta da dor

Oiço os gritos destas paredes lisas
Mas ainda sinto medo do silêncio

Quase perdi
Quase te vi quando passei
Quase morri
Nesta noite clara
Aonde me perco
E tenho pena
E sinto falta da dor

Sempre sou mais uma copia do que nunca fui
Mais um perdedor...
Sempre sou mais uma miragem do que não existe
Mais um fraco...

Desiste por mim
O mundo vira enfim
Doi...
Neste quarto sempre vazio

É pena acreditar em poneys rosa
Mas sempre posso abrir os olhos amanhã

Quase vivi
Quase passei
Quase não morri
Doi...

08-04-2006

Thursday, April 06, 2006

Esqueci


Esqueci que “por vezes” não é suficiente
Que por vezes perdeu-se muito
Que por vezes doi mais que nada
E ficaste a ver os meus fragmentos cairem no chão

Esqueci que também sabia voar
Que tinha asas de prata
E depois chegas...
E seguras as minhas asas no chão

Esqueci que não queria perder
Libertei-me dos teus braços e voei
Eu que não tinha para onde ir
Abri as asas...

E depois chegas...
Com as mesmas mentiras que já sei de cor
A prender-me as asas...
Os fragmentos perdidos no chão...


Esqueci que não queria perder
Vi as minhas asas de prata
Eu que não sabia voar
Abri as asas...

6-04-2006

Friday, March 31, 2006

Andas-te em voltas no mesmo quarteirão
Onde ao menos conheces a solidão
Amanhece mais cedo no outro lado do muro
Mas preferes as estrelas a arriscar queimares-te com o sol

Tens vendas de mais a taparem-te os olhos
Mas preferes o escuro a desatares as mãos
Tens asas de codão feitas de sonhos
Mas os teus medos não te deixam voar

Andas-te em circulos na mesma mentira
Sem ver a estrada porque os teus olhos estão pregados ao chão
Tens esperanças de mais a estragar-me a calçada
Mas se vieres sem cordas a indigar luz....


me-31-03-06

Saturday, March 25, 2006

a

a

Já não sinto a areia nos meus pés. Os salpicos do mar não se esbatem na minha cara. Mas ainda sinto a brisa daquele praia, o vento arremaça-me o cabelo como os teus dedos antes faziam .
Abro os olhos na esperança que não estejas lá mas as ondas, que vêm e voltam, têm o teu cheiro.
As estrelas de que sempre tive medo continuam a guiar o negro da noite contudo a lua não as deixa brilhar. Mas posso voltar amanha e acreditar no mesmo céu.
Roubas a luz das estrelas quando fecho os olhos e tentas vende-la como se fosse tua. Tentas desligar as luzes e deixar-me no escuro porque é mais fácil partir quando estou mesmo ao teu lado.
Seria bom adormecer sozinha mas assim não poderias sair antes de eu acordar. E roubas mais uma estrela sem contares com a manhã que se aproxima.

me-25-03-06

Saturday, March 18, 2006

So

So I guess you know it
By the way that I hold you
It wasn’t quite our time
So it was the end
And you decide to hurt me every single day

So you guess I know it
By the words that you told me
It wasn’t quite our time
So I die a thousand times
Just to feel the taste of your lips

So you came to my house
Just to see me cry
I’m wasting out my time
So I dry my tears and blood inside
But I keep playing your game

So I go to your place
Just to fuck up your head
I’m wasting out your time
Watching live passing by
But I keep making the same mistakes

Now I see the things I never had seen before, and now I do the things I should never stop doing, and I don’t even miss you at all
Now I see the things I never should stop seeing and now I do all the things I’ve dreamed of, and I don’t really miss you at all



me - 18-03-06

Saturday, February 18, 2006


Quero perder-me!
Não nos braços de alguém, não no horizonte quando o sol beija o mar e a lua envolve as estrelas, mas no nada omnipresente que nos rodeia.
Quero mergulhar no vazio dos olhos da multidão em hora de ponta no centro de lisboa, quero ser sugado pela noite escura que estrangula e alimenta o medo das crianças.
Ai, a magnificência lúgrube de possuir o mundo, não tendo nada. A felicidade avilta de ser invisível aos olhos de todos... e de repente, sou mais eu, porque sou menos eu, o espelho que olho, é mais baso porque é feito de mil sombras e mil pedaços que tu não reconheces e por isso mais verdadeiro e por isso mais irreal.

As janelas do meu quarto, dão para a mesma rua que o teu, embora a rua não seja a mesma, porque nunca a viste. E esta tinta que escreve estas palavras, que se calhar nunca vais ler, é mais pura porque nunca as vais ler. E agarro-me a estas palavras, escritas num papel amanhaçado porque na verdade não são minhas, e por isso sou mais eu. E procuro nestas linhas tremidas o silêncio que me aumenta, procuro nelas a glorificação impossível. E encontro-me. E por isso perdi-me ainda mais.



me-18-02-2005

Sunday, January 15, 2006

Tal como a verdadeira tolerância é não tolerar tudo, também há coisas imperdoáveis. O verdadeiro desafio é saber quando é altura de baixar os braços e deixar ir.
Porque, infelizmente, há guerras perdidas desde o início, será que vale a pena continuar as sucessivas batalhas, mesmo com algumas vitórias? "Tudo vale a pena qd a alma não é pekena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor." Mas "que importa àquele a quem já nada importa que um perca e outro vença, Se a aurora raia sempre". só que o sol quando nasce, não é p todos. Ou pelo menos não nasce da mesma maneira p todos. E mesmo assim, ele nasce, todos os dias, sucessivamente, sem falhar. E admiro aqueles a quem o sol aquece menos do que a nós, pela força, pela coragem e principalmente pela fé. E o pobre homem que não teve a sorte de nascer sob o mesmo sol que as pessoas com maior qualidade de vida, levanta-se todos os dias antes do sol nascer e deita-se quando a lua já vai alta. E um dia o sol não nasce. É a morte. Que é igual para todos. E no fim que importa. não deixamos uma maior marca que o pobre homem e encontramo-nos no fim sob o mesmo solo que ele. Lado a lado como iguais.
E penso que "Sim, sei bem Que nunca serei alguém. Sei de sobra Que nunca terei uma obra. Sei, enfim, Que nunca saberei de mim. Sim, mas agora, Enquanto dura esta hora, Este luar, estes ramos, Esta paz em que estamos, Deixem-me crer O que nunca poderei ser." E no fim td o k m resta é este sonho de poder sonhar mais alto e a angústia de não saber quando parar de perdoar e de lutar estas guerras perdidas. E nesses momentos, encontro o homem pobre.



me - a esquartejar fernando pessoa. 15-01-05

Monday, January 02, 2006

Afinal


Eras tu encostado contra o meu peito
E eu a tentar libertar-me dos teus braços
Eramos nós a argumentarmos contra a verdade
Era a evidência a apoderar-se das nossas mentiras

Eras tu a dançar ao luar
E eu a esconder as lágrimas
Eramos nós a olhar em direcções opostas
Era o Tejo a seguir por dois caminhos distintos

Afinal, sempre soubemos que ia ser assim
Afinal, fomos nós que precipitamos o fim


Desvias-te os olhos quando passei por ti
Fingi que não te conheci quando o teu casaco tocou em mim
Mas sem esquecer o que senti
Sem querer lembraste-te do perfume

Fugias do toque e eu escondia-me dos beijos
Por sabermos que era o fim dos abraços sentidos
Que perdermos por entre os lençois de cetim
De que desistismos por entre as mentiras doces

Afinal, sempre soubemos que ia ser assim
Afinal, fomos nós que precipitamos o fim


Eras tu a dizer adeus nos teus beijos
E eu a puxar-te para longe de mim
Eramos nós a desatarmo-nos num longo abraço
Era o silêncio a matar-nos com as suas palavras cruéis

Eras tu a partir enquanto ficavas
Era eu a ficar enquanto te seguia
Eramos nós a afastarmo-nos enquanto caminhávamos lado a lado
Era a porta a fechar enquanto te pedia para entrares

Afinal, sempre soubemos que ia ser assim
Afinal, fomos nós que precipitamos o fim
Afinal...

20-12-2005