Sunday, January 15, 2006

Tal como a verdadeira tolerância é não tolerar tudo, também há coisas imperdoáveis. O verdadeiro desafio é saber quando é altura de baixar os braços e deixar ir.
Porque, infelizmente, há guerras perdidas desde o início, será que vale a pena continuar as sucessivas batalhas, mesmo com algumas vitórias? "Tudo vale a pena qd a alma não é pekena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor." Mas "que importa àquele a quem já nada importa que um perca e outro vença, Se a aurora raia sempre". só que o sol quando nasce, não é p todos. Ou pelo menos não nasce da mesma maneira p todos. E mesmo assim, ele nasce, todos os dias, sucessivamente, sem falhar. E admiro aqueles a quem o sol aquece menos do que a nós, pela força, pela coragem e principalmente pela fé. E o pobre homem que não teve a sorte de nascer sob o mesmo sol que as pessoas com maior qualidade de vida, levanta-se todos os dias antes do sol nascer e deita-se quando a lua já vai alta. E um dia o sol não nasce. É a morte. Que é igual para todos. E no fim que importa. não deixamos uma maior marca que o pobre homem e encontramo-nos no fim sob o mesmo solo que ele. Lado a lado como iguais.
E penso que "Sim, sei bem Que nunca serei alguém. Sei de sobra Que nunca terei uma obra. Sei, enfim, Que nunca saberei de mim. Sim, mas agora, Enquanto dura esta hora, Este luar, estes ramos, Esta paz em que estamos, Deixem-me crer O que nunca poderei ser." E no fim td o k m resta é este sonho de poder sonhar mais alto e a angústia de não saber quando parar de perdoar e de lutar estas guerras perdidas. E nesses momentos, encontro o homem pobre.



me - a esquartejar fernando pessoa. 15-01-05

No comments: