Saturday, February 18, 2006


Quero perder-me!
Não nos braços de alguém, não no horizonte quando o sol beija o mar e a lua envolve as estrelas, mas no nada omnipresente que nos rodeia.
Quero mergulhar no vazio dos olhos da multidão em hora de ponta no centro de lisboa, quero ser sugado pela noite escura que estrangula e alimenta o medo das crianças.
Ai, a magnificência lúgrube de possuir o mundo, não tendo nada. A felicidade avilta de ser invisível aos olhos de todos... e de repente, sou mais eu, porque sou menos eu, o espelho que olho, é mais baso porque é feito de mil sombras e mil pedaços que tu não reconheces e por isso mais verdadeiro e por isso mais irreal.

As janelas do meu quarto, dão para a mesma rua que o teu, embora a rua não seja a mesma, porque nunca a viste. E esta tinta que escreve estas palavras, que se calhar nunca vais ler, é mais pura porque nunca as vais ler. E agarro-me a estas palavras, escritas num papel amanhaçado porque na verdade não são minhas, e por isso sou mais eu. E procuro nestas linhas tremidas o silêncio que me aumenta, procuro nelas a glorificação impossível. E encontro-me. E por isso perdi-me ainda mais.



me-18-02-2005

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